Preenchimento facial, bioestimulador de colágeno ou outro procedimento não entregou o resultado esperado? Entenda por que a condição do tecido pode mudar a resposta.
Uma mulher chega para uma avaliação depois de já ter feito alguns procedimentos no rosto. Ela não está dizendo que nada funcionou. Também não está arrependida. A dúvida é bem mais comum do que parece:
“Eu fiz, melhorou… mas achei que o resultado seria maior. Será que faltou alguma coisa?”
Eu entendo perfeitamente por que essa pergunta aparece. Durante muito tempo, aprendemos a pensar o resultado de um procedimento estético quase como uma conta: se mudou pouco, talvez tenha faltado produto. Se o bioestimulador de colágeno não entregou o que eu imaginava, talvez seja necessária outra sessão. Se o preenchimento facial ficou abaixo da expectativa, talvez falte mais ácido hialurônico.
À primeira vista, faz sentido, só que existe uma pergunta que eu prefiro fazer antes de decidir colocar mais alguma coisa: esse tecido tinha condição de responder ao que estávamos pedindo dele?
Quando o resultado pequeno é interpretado apenas como falta
Esse é um ponto que mudou bastante a maneira como eu penso estética. Quando um procedimento estético facial entrega menos do que o esperado, é muito fácil transformar imediatamente essa resposta em falta: faltou produto, faltou intensidade, faltou mais uma sessão, mas nem sempre é isso que o resultado está mostrando.
Na estética, um resultado abaixo do esperado nem sempre revela quanto ainda falta fazer. Às vezes ele revela quanto ainda falta entender sobre a capacidade daquele tecido de responder.
Essa é a ideia que eu gostaria que mais mulheres conhecessem antes de decidir o próximo procedimento, pois preenchimento, bioestimulador, tecnologias e outras estratégias não acontecem em um rosto separado da biologia daquele tecido. E dois rostos que aparentemente têm a mesma queixa podem responder de maneiras muito diferentes.
O que a qualidade da pele tem a ver com o resultado?
Quando alguém pesquisa “por que meu bioestimulador não fez efeito?”, “por que meu preenchimento não ficou como eu esperava?” ou “o que fazer para melhorar a flacidez facial?”, geralmente está procurando o próximo procedimento.
Eu acho que vale investigar um passo anterior. A derme possui fibroblastos, células diretamente envolvidas na produção e organização de componentes da matriz extracelular, incluindo o colágeno. Com o envelhecimento e a exposição acumulada a diferentes fatores de estresse, parte desses fibroblastos pode apresentar alterações funcionais. Estudos em fibroblastos dérmicos humanos também mostram relações entre senescência celular, alterações na organização do colágeno, estresse oxidativo e disfunções mitocondriais.
Traduzindo isso para uma linguagem menos laboratorial: o tecido sobre o qual estamos tentando produzir um resultado também participa desse resultado. É por isso que eu não gosto de pensar apenas em “qual procedimento é melhor para flacidez facial?” ou “qual o melhor bioestimulador de colágeno?”.
Essas perguntas podem ser úteis, mas estão incompletas. Melhor para qual tecido? Em que momento? Com qual capacidade de resposta? E para resolver exatamente o quê?
Fazer mais pode parecer lógico. Nem sempre é a próxima decisão.
Imagine que a resposta foi pequena e ninguém investigou por quê. A primeira decisão é repetir. Ainda está aquém da expectativa? Acrescenta-se outra estratégia. Depois outra. É possível chegar a uma sequência de intervenções construídas sobre a mesma interpretação: se respondeu pouco, faltou fazer mais.
E é exatamente aí que um rosto pode começar a receber decisões que não vieram de uma avaliação do tecido, mas de uma tentativa sucessiva de perseguir um resultado. Isso não significa que o preenchimento facial esteja errado. Eu uso preenchimento, mas há situações em que repor volume com ácido hialurônico faz sentido e entrega algo que a regeneração do tecido, sozinha, não conseguiria entregar. Em outros momentos, talvez a prioridade seja trabalhar a condição daquele tecido antes de acrescentar volume. Também existem casos em que diferentes estratégias podem ser associadas. A questão está na ordem e no critério.
Estética regenerativa facial: por que a ordem importa?
É justamente aqui que entra a estética regenerativa facial. Para mim, ela não significa abandonar preenchimentos ou criar uma disputa entre “regenerativo” e “preenchedor”. Significa observar primeiro aquilo que sustentará a intervenção.
Se eu tenho um tecido com pouca capacidade de resposta e simplesmente acrescento mais peso sobre ele, preciso perguntar até onde essa decisão realmente faz sentido. É parecido com um elástico que já perdeu parte da sua capacidade de sustentação. Acrescentar mais peso pode até produzir uma mudança imediata, mas isso não recupera a condição daquele elástico. No rosto, meu raciocínio começa tentando entender onde existe uma questão de tecido e onde existe, de fato, uma perda de volume que precisa ser reposta. Só depois eu decido.
“Mas então como eu sei qual procedimento fazer no rosto?”
Talvez essa seja uma das perguntas mais úteis para levar para uma avaliação facial, e a resposta não deveria começar pelo nome de um procedimento. Quando alguém me pergunta “Dra. Luciana, o que eu preciso fazer?”, eu prefiro primeiro entender o que está acontecendo naquele rosto.
Existe perda de volume? Existe flacidez facial? Como está a qualidade da pele? O que podemos esperar daquele tecido? Onde um estímulo de colágeno tem função? E onde o preenchimento pode ser necessário justamente porque existe algo que a estratégia regenerativa não vai substituir?
Essas perguntas mudam bastante a conversa. Você deixa de escolher um procedimento porque ouviu falar dele e começa a entender por que ele está sendo indicado para você. E isso também permite reconhecer quando a melhor decisão é fazer, combinar, esperar ou recusar.
Eu também preciso voltar e rever meu raciocínio
Existe uma parte importante desse trabalho que não aparece numa fotografia de resultado: voltar e questionar a própria decisão. Quando um procedimento não responde como eu esperava, eu não quero que a minha primeira reação seja defender o que fiz ou simplesmente acrescentar alguma coisa.
Eu preciso conseguir perguntar: O que eu não considerei? O que aquele tecido já estava mostrando? Minha expectativa de resposta fazia sentido para aquela condição? E o que realmente deve vir agora? Eu gosto dessa pergunta porque ela me obriga a continuar pensando.
E acredito que ela também protege a mulher de uma armadilha muito comum na estética: imaginar que sempre existe algum produto a mais capaz de resolver aquilo que ainda não foi compreendido.
Antes de perguntar “o que eu faço agora?”, faça outra pergunta
Se você já fez preenchimento facial, bioestimulador de colágeno, algum procedimento para flacidez facial ou está pesquisando opções de rejuvenescimento facial, talvez valha guardar uma pergunta para sua próxima avaliação: estão apenas decidindo o que fazer a seguir ou estão tentando entender por que meu tecido respondeu dessa maneira?
Uma boa avaliação não precisa começar com uma seringa escolhida ou com o nome de uma tecnologia, mas entendendo o seu rosto, a condição do seu tecido e aquilo que realmente faz sentido pedir dele.
Se você quer entender isso no seu caso, agende sua avaliação comigo, Dra. Luciana Pimenta, em Goiânia. Antes de decidir o que fazer, nós vamos entender o que o seu rosto está mostrando.
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