Envelhecimento feminino: quem decide como uma mulher deve envelhecer?

Quem decidiu como uma mulher deve envelhecer? Se o rosto envelhece, dizem que você se descuidou. Se faz um procedimento, dizem que exagerou. Envelhecer naturalmente ou fazer harmonização facial? Entenda como o julgamento sobre a aparência influencia as escolhas das mulheres e por que autonomia também faz parte do cuidado.

Existe uma fase da vida em que algumas mulheres começam a perceber algo curioso. O rosto muda, como é esperado com o passar dos anos, mas junto com essas mudanças aparecem opiniões que ninguém pediu.

Se as rugas ficaram mais evidentes, alguém comenta que ela deveria se cuidar mais. Se procura um dermatologista ou um profissional de harmonização facial, pode ouvir que está preocupada demais com a aparência. Se faz algum procedimento e o resultado aparece, surge o receio de ser considerada exagerada. Se prefere não fazer nada, também pode ser julgada.

Depois de tantos anos atendendo mulheres, percebo que o envelhecimento feminino ainda é observado como se existisse um manual invisível dizendo até onde uma mulher pode se cuidar, o quanto pode envelhecer e qual aparência deveria considerar aceitável em cada idade. E talvez seja justamente esse manual que precise ser questionado.

Quando o olhar do outro começa a interferir no espelho

Nossa percepção da própria aparência não é construída isoladamente. Ao longo da vida, observamos o que é elogiado, o que é criticado, quais mulheres são consideradas bonitas, quais são chamadas de vaidosas demais e quais recebem comentários de que parecem cansadas ou envelhecidas. Em algum momento, essas referências podem começar a interferir até na maneira como nos enxergamos.

Na prática clínica, escuto mulheres que gostariam de tratar a flacidez facial, melhorar a qualidade da pele ou suavizar determinados sinais do envelhecimento, mas chegam à consulta preocupadas com uma questão que vai muito além da técnica. “Será que vão perceber que fiz alguma coisa?”

Também existem aquelas que dizem que não querem parecer uma pessoa que “vive fazendo procedimentos”, mesmo quando estão apenas buscando uma melhora pontual em algo que passou a incomodá-las. Essa preocupação diz muito sobre o espaço que ainda damos à opinião externa quando o assunto é a aparência feminina.

Envelhecer naturalmente também pode envolver cuidados

A expressão envelhecimento natural às vezes é interpretada como se significasse simplesmente deixar o tempo passar sem qualquer intervenção. Eu vejo de outra forma. 

Uma mulher pode envelhecer naturalmente cuidando da pele, tratando manchas, estimulando colágeno, fazendo atividade física, ajustando a alimentação, usando toxina botulínica ou realizando procedimentos de harmonização orofacial quando sente vontade.

Naturalidade, para mim, tem muito mais relação com continuar reconhecendo aquela pessoa no resultado do que com a existência ou ausência de procedimentos. 

Há mulheres que não querem fazer nenhum tratamento estético e se sentem absolutamente confortáveis dessa maneira. Há outras que percebem a perda do contorno facial, a mudança na textura da pele, a flacidez ou características que foram se alterando ao longo dos anos e desejam cuidar delas. As duas escolhas podem ser  e são legítimas. E essas decisões também podem mudar. O que uma mulher desejava aos 35 anos talvez seja diferente aos 45, aos 55 ou aos 65.

Harmonização facial começa antes do procedimento

Quando alguém procura uma consulta de harmonização facial, existe uma tendência de imaginar que a principal pergunta será qual procedimento fazer. Na minha forma de trabalhar, existem algumas perguntas anteriores a essa. O que essa mulher percebe quando olha para o próprio rosto? O que realmente a incomoda? Há quanto tempo ela percebe aquela mudança? O que espera melhorar? Até onde deseja ir? Existe alguma característica que deseja preservar?

Essas respostas são fundamentais porque o planejamento de um tratamento facial deveria partir da pessoa, e não de um padrão de rosto considerado ideal. A técnica entra depois.

Toxina botulínica, preenchimento facial, bioestimuladores de colágeno, tratamentos para qualidade da pele e outras possibilidades são recursos. A escolha depende da avaliação do rosto, das características dos tecidos, do processo de envelhecimento e, principalmente, do objetivo daquela pessoa. É justamente por isso que duas mulheres com a mesma idade podem receber planejamentos completamente diferentes.

O medo de envelhecer também pode ser o medo de deixar de se reconhecer

Nem sempre uma mulher procura um procedimento porque deseja parecer mais jovem. Essa é uma diferença importante. Algumas chegam dizendo que o rosto parece mais cansado do que se sentem. Outras percebem que determinada característica que sempre tiveram está desaparecendo. Há aquelas que olham uma fotografia e sentem que a imagem já não corresponde à maneira como se percebem internamente.

O envelhecimento facial envolve alterações na pele, gordura, musculatura, ligamentos e estrutura óssea. Por isso, mudanças no rosto podem acontecer de maneira bastante diferente de uma pessoa para outra. Quando uma mulher procura ajuda para entender essas alterações, considero simplista reduzir essa decisão à vaidade.

Cuidar da aparência pode ter relação com identidade, autoestima, autocuidado e com o desejo bastante humano de se sentir confortável com a própria imagem.

A naturalidade também depende de saber até onde ir

Talvez uma das maiores preocupações de quem considera fazer procedimentos estéticos no rosto seja perder a naturalidade. Eu compreendo esse receio. Durante anos, vimos resultados exagerados circulando nas redes sociais e, por serem visualmente marcantes, acabaram ajudando a criar a impressão de que harmonização facial significa necessariamente alterar feições.

Um planejamento cuidadoso pode seguir uma direção completamente diferente. Em muitos casos, o objetivo pode ser melhorar a qualidade da pele, tratar a flacidez, devolver suporte a determinadas regiões ou suavizar mudanças que aconteceram com o envelhecimento, preservando características individuais.

Há momentos em que fazer menos é suficiente. Em outros, um tratamento precisa ser construído gradualmente. E também existem situações em que a melhor decisão pode ser não realizar determinado procedimento.

Ter conhecimento técnico inclui saber indicar, mas também saber limitar.

Talvez a pergunta certa seja outra

Durante muito tempo, as mulheres receberam orientações sobre como deveriam se vestir, se comportar, ocupar espaços e envelhecer. A aparência acabou entrando nessa mesma lista.

Por isso, acredito que vale substituir a pergunta “o que uma mulher deveria fazer para envelhecer bem?” por algo muito mais individual: Como eu quero atravessar esse processo?

Talvez você queira acompanhar cada mudança do rosto sem realizar nenhum procedimento. Talvez queira cuidar da pele e deixar as linhas de expressão exatamente onde estão. Talvez queira tratar a flacidez, recuperar algum contorno ou suavizar características que passaram a incomodar. O importante é que essa decisão possa nascer da sua percepção e não da necessidade de corresponder ao olhar de outras pessoas

Depois de tantos anos trabalhando com mulheres e acompanhando diferentes fases de suas vidas, uma coisa ficou cada vez mais clara para mim. A liberdade de envelhecer também passa pela liberdade de escolher como queremos cuidar de nós mesmas.

Quando uma mulher olha para o próprio rosto, talvez ela não precise de mais uma pessoa dizendo o que deveria fazer. Talvez precise de informação suficiente para decidir por si mesma, de um profissional que saiba ouvir antes de propor qualquer tratamento e da tranquilidade de compreender que o próprio rosto continua sendo território dela.

Se esse tipo de conversa sobre harmonização facial, envelhecimento feminino, naturalidade e autonomia faz sentido para você, acompanhe meu conteúdo no @lucianapimentahof. E, se você conhece uma mulher que alguma vez já sentiu que precisava justificar a forma como escolheu envelhecer, compartilhe este texto com ela.