A toxina botulínica (BOTOX®), age no músculo, mas flacidez envolve estrutura, colágeno e sustentação. Saiba quando a aplicação isolada pode gerar frustração.
Se você acredita que flacidez se resolve com toxina botulínica (BOTOX®), talvez alguém tenha simplificado demais o que está acontecendo no seu rosto.
Não é raro ouvir no consultório: “Doutora, estou flácida. Acho que preciso de botox.”
E, muitas vezes, é exatamente aí que começa o erro. Porque quando o problema não é ruga dinâmica, tratar apenas com toxina pode não resolver, e às vezes é assim que nasce a temida “cara de que fez botox”.
O problema é que flacidez não é um único fenômeno. Quando você olha no espelho e diz que está “flácida”, pode estar acontecendo mais de uma coisa ao mesmo tempo.
O músculo continua funcionando. O Botox, age justamente aí, reduzindo a contração que forma as rugas de expressão. Mas flacidez não nasce só do músculo.
Ao longo do tempo, o rosto perde colágeno, a qualidade da pele muda, os compartimentos de gordura se reposicionam, e até a estrutura óssea sofre alterações. É um processo silencioso e progressivo.
No consultório, muitas vezes eu mostro no espelho: “Veja, aqui é movimento. Aqui já é perda de sustentação.”
E quando a paciente entende que não é apenas uma ruga que aparece ao sorrir, mas uma mudança estrutural, algo muda no olhar dela. Aplicar toxina em um rosto que já perdeu sustentação não devolve estrutura. Só diminui movimento. E é aí que começa a frustração.
Existe uma diferença enorme entre saber aplicar um produto e saber quando aplicá-lo.
Toxina botulínica (BOTOX®), é uma ferramenta extraordinária quando bem indicada. O problema começa quando ela vira resposta automática para qualquer queixa estética.
Nem tudo que é possível aplicar deve ser aplicado.
Às vezes, o mais responsável não é preencher, não é relaxar o músculo, não é prometer um resultado imediato. É explicar. É mostrar que existe perda estrutural. É orientar sobre qualidade de pele. É propor um plano que respeite o que aquele rosto realmente precisa.
O intuito da harmonização não é paralisar movimento, é entender o que está acontecendo antes de intervir. Se alguém resumiu sua flacidez a uma seringa, talvez seja hora de buscar uma avaliação mais criteriosa.
Antes de decidir seu próximo procedimento, pergunte o que realmente está acontecendo no seu rosto. Pergunte se o problema é movimento, estrutura ou qualidade de pele. Pergunte se existe um plano, e não apenas uma aplicação.
Responsabilidade estética começa pelo diagnóstico. E, muitas vezes, o melhor resultado não vem de fazer mais. Vem de fazer o que é certo.
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